Para cada ritmo: as quatro respostas, o sinal que resolve o diagnóstico, o que fazer, e com que outros ritmos se confunde. Os pares que se confundem são os que interessa treinar — ninguém troca uma assistolia por uma taquicardia.
Ritmos sinusais
Sinusal Normal
- Frequência
- 60–100
- Regularidade
- regular
- Onda P
- presente antes de cada QRS
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: P antes de cada QRS, FC 60–100, tudo regular
O que fazer: nada — é o ritmo normal
Confunde-se com:
Bradicardia Sinusal, Taquicardia Sinusal
Bradicardia Sinusal
- Frequência
- < 60
- Regularidade
- regular
- Onda P
- presente antes de cada QRS
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: igual ao sinusal, mas abaixo de 60
O que fazer: tratar só se houver má perfusão: atropina
Confunde-se com:
Sinusal Normal, BAV 3.º grau
Taquicardia Sinusal
- Frequência
- 100–150
- Regularidade
- regular
- Onda P
- presente, pode encostar à T
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: P ainda visível e FC raramente acima de 150 — procurar a CAUSA
O que fazer: tratar a causa (dor, febre, hipovolémia), não a frequência
Confunde-se com:
Sinusal Normal, TSV, Flutter Auricular
Taquicardias de QRS estreito
TSV
- Frequência
- 150–250
- Regularidade
- muito regular
- Onda P
- não se vê (escondida na T)
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: demasiado rápida e demasiado regular para ser sinusal, e sem P
O que fazer: manobras vagais, adenosina; cardioversão se instável
Confunde-se com:
Taquicardia Sinusal, Flutter Auricular, Fibrilhação Auricular
Fibrilhação Auricular
- Frequência
- variável
- Regularidade
- IRREGULARMENTE irregular
- Onda P
- ausente (ondulação fina)
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: nunca há dois intervalos iguais e não há P nenhuma
O que fazer: controlo de frequência, anticoagulação
Confunde-se com:
Flutter Auricular, TSV
Flutter Auricular
- Frequência
- ~150 (2:1)
- Regularidade
- regular
- Onda P
- ondas F em dente de serra (~300/min)
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: dente de serra na linha de base — regular, ao contrário da FA
O que fazer: controlo de frequência, cardioversão
Confunde-se com:
Fibrilhação Auricular, TSV, Taquicardia Sinusal
Taquicardias de QRS largo
TV Monomórfica (c/ pulso)
- Frequência
- 150–200
- Regularidade
- regular
- Onda P
- ausente
- QRS
- LARGO e uniforme
O que resolve o diagnóstico: complexos largos, todos IGUAIS entre si, e há pulso
O que fazer: cardioversão sincronizada; amiodarona
Confunde-se com:
TV Monomórfica (s/ pulso), TSV
TV Monomórfica (s/ pulso)
- Frequência
- 150–200
- Regularidade
- regular
- Onda P
- ausente
- QRS
- LARGO e uniforme
O que resolve o diagnóstico: igual à anterior no traçado — o que muda é NÃO haver pulso
O que fazer: paragem: desfibrilhar + SAV
Confunde-se com:
TV Monomórfica (c/ pulso), FV (grosseira)
TV Polimórfica
- Frequência
- 200–250
- Regularidade
- irregular
- Onda P
- ausente
- QRS
- largo, MUDA de complexo para complexo
O que resolve o diagnóstico: sem linha isoelétrica e cada complexo diferente do anterior, SEM fuso organizado
O que fazer: desfibrilhar (não sincronizado); corrigir isquemia
Confunde-se com:
Torsades de Pointes, FV (grosseira), TV Monomórfica (s/ pulso)
Torsades de Pointes
- Frequência
- 200–250
- Regularidade
- irregular
- Onda P
- ausente
- QRS
- largo, roda em torno da linha de base
O que resolve o diagnóstico: FUSOS: a amplitude cresce, diminui e a polaridade inverte-se — é a torção
O que fazer: sulfato de magnésio; corrigir o QT longo
Confunde-se com:
TV Polimórfica, FV (grosseira)
Ritmos de paragem
FV (grosseira)
- Frequência
- —
- Regularidade
- caótica
- Onda P
- ausente
- QRS
- nenhum complexo identificável
O que resolve o diagnóstico: caos total, sem qualquer complexo reconhecível
O que fazer: DESFIBRILHAR já
Confunde-se com:
TV Polimórfica, FV fina
FV fina
- Frequência
- —
- Regularidade
- caótica
- Onda P
- ausente
- QRS
- nenhum, de amplitude muito baixa
O que resolve o diagnóstico: parece assistolia até se aumentar o ganho — por isso é que se aumenta
O que fazer: desfibrilhar; RCP de qualidade
Confunde-se com:
Assistolia, FV (grosseira)
Assistolia
- Frequência
- 0
- Regularidade
- —
- Onda P
- ausente
- QRS
- ausente
O que resolve o diagnóstico: linha praticamente plana — confirmar em duas derivações e com ganho
O que fazer: RCP + adrenalina; NÃO se desfibrilha
Confunde-se com:
FV fina
AESP
- Frequência
- lenta
- Regularidade
- regular
- Onda P
- ausente
- QRS
- largo
O que resolve o diagnóstico: há ritmo no monitor mas NÃO há pulso — o diagnóstico é no doente
O que fazer: RCP + adrenalina; procurar as causas reversíveis
Confunde-se com:
Bradicardia Sinusal, BAV 3.º grau
Bloqueios auriculoventriculares
BAV 1.º grau
- Frequência
- normal
- Regularidade
- regular
- Onda P
- presente, PR > 200 ms
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: todas as P conduzem, mas o PR está sempre longo e sempre igual
O que fazer: nenhuma; vigiar
Confunde-se com:
Sinusal Normal, BAV 2.º Mobitz I
BAV 2.º Mobitz I
- Frequência
- normal ou lenta
- Regularidade
- irregular por ciclos
- Onda P
- PR aumenta até falhar um QRS
- QRS
- estreito
O que resolve o diagnóstico: o PR vai ALONGANDO até um batimento cair — e depois recomeça
O que fazer: vigiar; atropina se sintomático
Confunde-se com:
BAV 2.º Mobitz II, BAV 1.º grau
BAV 2.º Mobitz II
- Frequência
- lenta
- Regularidade
- irregular
- Onda P
- PR CONSTANTE, com QRS que falham
- QRS
- estreito ou largo
O que resolve o diagnóstico: o PR não muda nada — os batimentos caem de repente, sem aviso
O que fazer: pacemaker — pode evoluir para BAV completo
Confunde-se com:
BAV 2.º Mobitz I, BAV 3.º grau
BAV 3.º grau
- Frequência
- 30–40
- Regularidade
- regular, mas dissociada
- Onda P
- presentes, sem relação com o QRS
- QRS
- largo (escape)
O que resolve o diagnóstico: P e QRS cada um no seu ritmo, sem nenhuma relação entre eles
O que fazer: pacemaker; atropina raramente resulta
Confunde-se com:
BAV 2.º Mobitz II, Bradicardia Sinusal