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Taquicardia de complexos largos: como distinguir TV de TSV

Aprenda a aplicar critérios de diagnóstico diferencial para distinguir taquicardia de complexos largos, otimizando a tomada de decisão clínica no monitor.

Equipa Médica My ECG Academy Publicado a Revisto a 3 min de leitura

Como distinguir taquicardia de complexos largos no monitor?

A distinção entre taquicardia de complexos largos (TCL) de origem ventricular e taquicardia supraventricular (TSV) com aberrância baseia-se na identificação de sinais de dissociação aurículo-ventricular, morfologia do QRS e eixos desviados. Perante um QRS largo e regular, a presunção clínica deve ser sempre de taquicardia ventricular (TV) até prova em contrário, dada a sua potencial instabilidade hemodinâmica.

Quais os sinais de alerta no traçado?

Ao observar o traçado no monitor, como o exemplo ao lado, deve procurar sinais que confirmem a origem ventricular. A presença de batimentos de fusão ou batimentos de captura é altamente sugestiva de TV, pois indica que o ritmo sinusal está a tentar competir com o foco ventricular. A dissociação AV, onde as aurículas e ventrículos batem de forma independente, é o padrão-ouro para o diagnóstico de TV, embora nem sempre seja visível em todas as derivações.

Como aplicar os critérios de Brugada na prática?

Os critérios de Brugada oferecem uma abordagem estruturada para a análise da TCL. A ausência de complexos RS em todas as derivações precordiais (V1 a V6) é o primeiro passo. Se existir um intervalo RS superior a 100ms, a probabilidade de TV aumenta significativamente. A morfologia do QRS, nomeadamente em V1 e V6, fornece pistas adicionais sobre a origem do foco, sendo que padrões semelhantes a bloqueios de ramo podem ser enganadores se não forem analisados em conjunto com o eixo elétrico.

Qual o diagnóstico diferencial e as armadilhas?

A principal armadilha é assumir que um ritmo regular com QRS largo é uma TSV com bloqueio de ramo pré-existente. A história clínica do doente, incluindo antecedentes de cardiopatia estrutural ou enfarte do miocárdio, aumenta drasticamente a probabilidade de TV. A instabilidade hemodinâmica associada a uma TCL deve ser tratada segundo as recomendações em vigor para taquiarritmias instáveis, independentemente do diagnóstico de certeza no monitor.

CritérioSugestivo de TVSugestivo de TSV com Aberrância
Dissociação AVPresenteAusente
Batimentos de fusãoPresenteAusente
Morfologia em V1rS, QS ou R monofásicarsR' (BRD) ou rS (BRE)
Eixo elétricoDesvio extremo (noroeste)Eixo normal ou desviado

Como proceder perante o doente?

A decisão clínica depende sempre do contexto. Se o doente estiver instável, o protocolo de cardioversão elétrica deve ser priorizado sem atrasos para diagnósticos eletrocardiográficos complexos. Se o doente estiver estável, a análise detalhada do ECG de 12 derivações é fundamental. A consulta de traçados prévios do doente, se disponíveis, permite comparar a morfologia do QRS em ritmo sinusal, facilitando a identificação de uma possível aberrância pré-existente.

Referências

  • European Resuscitation Council Guidelines for Resuscitation
  • 2022 ESC Guidelines for the management of patients with ventricular arrhythmias

Perguntas frequentes

A taquicardia de complexos largos é sempre uma emergência?

Sim, deve ser tratada como uma emergência até que a etiologia seja esclarecida. A instabilidade hemodinâmica associada a este ritmo exige intervenção imediata segundo os protocolos de suporte avançado de vida.

Como distinguir TV de TSV com bloqueio de ramo?

A distinção baseia-se na análise da morfologia do QRS e na procura de dissociação AV. A presença de um padrão de bloqueio de ramo típico em ritmo sinusal prévio é um forte indicador de que a taquicardia atual é uma TSV com aberrância.

O que fazer primeiro perante uma taquicardia de complexos largos?

A prioridade é a avaliação da estabilidade hemodinâmica do doente. Se houver sinais de choque, insuficiência cardíaca ou isquemia miocárdica, a cardioversão elétrica é a conduta recomendada. Se o doente não tiver pulso inicie de imediato manobras de SAV com uma desfibrilhação o mais precoce possível.

Este artigo é material de formação, não é orientação clínica. As condutas dependem do contexto do doente e do protocolo em vigor no seu serviço. Não substitui formação certificada nem juízo clínico.