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Quando monitorizar um doente?

A monitorização cardíaca não é um procedimento reservado aos doentes em estado crítico. É uma ferramenta de vigilância que permite detetar alterações do ritmo cardíaco à medida que acontecem, facilitando o reconhecimento precoce de situações potencialmente graves.

Monitorizar um doente significa acompanhar continuamente a atividade elétrica do coração e outros parâmetros vitais, sempre que exista risco de deterioração clínica ou necessidade de vigilância apertada.

A decisão de monitorizar deve basear-se na situação clínica do doente, e não apenas no diagnóstico ou no local onde se encontra.

Existem situações em que a monitorização cardíaca deve ser considerada uma prioridade. O objetivo nem sempre é encontrar uma arritmia presente; muitas vezes é garantir que uma alteração futura seja detetada imediatamente.

É particularmente útil em doentes com:

  • dor torácica ou suspeita de síndrome coronária aguda;
  • palpitações ou suspeita de arritmia;
  • síncope ou pré-síncope sem causa esclarecida;
  • bradicardia ou taquicardia significativa;
  • alterações do estado de consciência sem explicação evidente;
  • instabilidade hemodinâmica;
  • insuficiência respiratória grave ou hipoxemia importante;
  • pós-paragem cardiorrespiratória;
  • administração de fármacos com potencial pró-arrítmico, segundo o protocolo da instituição;
  • período pós-procedimento em que exista risco de complicações cardíacas.

Nem todos estes doentes terão alterações do ritmo, mas todos beneficiam de vigilância contínua enquanto o risco se mantiver.

Também existem situações em que a monitorização pode ser temporária.

Durante o transporte intra e inter hospitalar, na recuperação após sedação, após determinados procedimentos invasivos ou enquanto se esclarece uma alteração clínica recente, o monitor oferece uma camada adicional de segurança.

Por outro lado, manter um doente monitorizado sem indicação clínica pode aumentar o número de alarmes desnecessários, gerar falsas interpretações e ocupar equipamentos que poderão fazer falta a outro doente.

A monitorização deve começar quando existe benefício clínico e terminar quando esse benefício deixa de existir.

Nota final:

Junto do doente, pergunta sempre duas coisas: qual é o risco de deterioração clínica atual do doente? e o que espero detetar com a monitorização?

Quando tens resposta para estas perguntas, torna-se mais fácil perceber a prioridade da vigilância, interpretar alterações do traçado e decidir quando comunicar uma mudança à equipa.

Monitorizar não significa apenas ligar cabos. Significa vigiar um doente com um objetivo clínico bem definido.